PF apura se decisões favoreceram empresas imobiliárias em troca de benefícios à família de magistrado; STJ autorizou seis buscas.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a operação Em Nome do Pai para investigar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro ligadas a decisões judiciais no Rio de Janeiro. Seis mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça para endereços em Icaraí, em Niterói.
Suspeita envolve vantagens à família
A investigação apura se empresas dos setores imobiliário e da construção civil receberam decisões favoráveis em troca de benefícios ao núcleo familiar de um magistrado. Segundo a PF, as vantagens sob suspeita incluem imóveis, descontos fora das condições comerciais habituais e pagamentos indiretos.
O material que deu origem ao caso veio da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio, após um procedimento administrativo sobre a conduta do magistrado. Esse caminho levou a apuração para além da esfera disciplinar, com investigação de possíveis crimes e autorização judicial para recolher provas.
A polícia distingue dois momentos: os atos de corrupção investigados teriam ocorrido quando o magistrado atuava na primeira instância; os indícios de lavagem de dinheiro teriam se prolongado no tempo. A hipótese é que pessoas físicas e empresas tenham sido usadas para intermediar benefícios e ocultar sua origem.
O que está em jogo
O foco da operação é a possível troca entre o exercício de uma função pública e vantagens privadas. Quando essa suspeita alcança decisões judiciais, a apuração interessa também às partes que dependem de uma Justiça imparcial para proteger contratos, propriedades e outros direitos.
Os mandados permitem buscar documentos, registros e objetos relacionados à investigação. A análise desse material é que poderá ajudar a esclarecer a conexão entre decisões, negócios e pagamentos. A realização das buscas não equivale a uma condenação dos envolvidos.
A PF informou que os fatos podem configurar organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. O enquadramento definitivo dependerá das provas reunidas e da atuação do Ministério Público e do Judiciário.
A fase inicial da operação não apresentou um balanço completo dos valores nem a relação de todas as decisões analisadas. Não havia manifestação dos investigados no balanço inicial da operação.






