Home / Justiça & Segurança / Fachin pede que PGR reavalie posição sobre inquérito da pandemia

Fachin pede que PGR reavalie posição sobre inquérito da pandemia

Ministro Edson Fachin em sessão do Supremo Tribunal Federal.

PGR havia defendido o encerramento por falta de indícios mínimos; Fachin pede posição atualizada após documento de cooperação internacional.

Edson Fachin deu cinco dias para a Procuradoria-Geral da República esclarecer se mantém o pedido de arquivamento de um inquérito relacionado a publicações de Jair Bolsonaro durante a pandemia. O pedido da PGR, apresentado em 2023, apontava falta de indícios mínimos dos crimes investigados.

Pedido de arquivamento volta à mesa

O despacho considera a inclusão de uma resposta dos Estados Unidos a um pedido de cooperação jurídica. A chegada dessa manifestação e o tempo de tramitação levaram o presidente do Supremo a solicitar uma posição atualizada do Ministério Público.

A investigação foi aberta a partir de um pedido da CPI da Pandemia, no Senado, para examinar informações publicadas nas redes sociais de Bolsonaro. As condutas foram analisadas sob hipóteses de crimes ligados à epidemia, a medidas sanitárias e à incitação ao crime.

A Polícia Federal encerrou a etapa investigativa no fim de 2022 e indiciou o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Depois disso, a PGR pediu o encerramento por considerar insuficientes os indícios para os crimes examinados. O novo despacho exige que o órgão diga se ratifica esse entendimento.

O prazo não representa uma nova denúncia contra Bolsonaro nem uma decisão de arquivamento. Ele abre uma etapa de manifestação da PGR diante do material incorporado ao processo.

Investigação e acusação são etapas diferentes

No sistema penal, reunir informações em um inquérito, apresentar uma acusação e julgar o caso são atos distintos. A polícia investiga; o Ministério Público examina os elementos para decidir sobre a acusação; o Judiciário aprecia os pedidos e, quando há ação penal, a responsabilidade dos acusados.

Essa separação explica por que uma investigação pode permanecer aberta mesmo com pedido de arquivamento ainda sob exame. Também impede tratar o simples andamento de um processo como prova de culpa.

O procedimento tramita separadamente do inquérito principal das fake news. Para Bolsonaro, a movimentação recoloca em discussão uma apuração em que o próprio órgão responsável pela acusação já havia defendido o encerramento. O próximo passo será a resposta da PGR ao Supremo.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *