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Senado retira PEC da Segurança Pública da pauta para evitar votação açodada

Senado retira PEC da Segurança Pública da pauta para evitar votação açodada

Decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, busca construir acordo em torno de emendas, incluindo pontos polêmicos como a redução da maioridade penal.

O Senado Federal retirou de pauta a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em decisão anunciada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo é evitar debates apressados e viabilizar entendimentos sobre as emendas apresentadas ao texto.

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou de pauta a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A matéria, originada do Poder Executivo, havia recebido celeridade na tramitação após aprovação rápida na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), sem alterações no texto oriundo da Câmara dos Deputados, e estava pronta para análise em plenário em dois turnos.

Segundo a condução da mesa diretora, a suspensão momentânea da votação teve o propósito de afastar o risco de uma deliberação apressada e abrir espaço para a construção de consensos em torno das emendas propostas pelos parlamentares. A decisão ocorreu em meio a questionamentos sobre o rito de tramitação especial adotado anteriormente.

Emendas polêmicas travam acordo

Entre os pontos que geram divergência e motivaram a necessidade de maior diálogo estão cinco emendas apresentadas ao texto principal. Destacam-se duas propostas concorrentes sobre a redução da maioridade penal: a emenda 84, do senador Rogerio Marinho (PL-RN), que sugere a redução para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e atuação em organizações criminosas; e a emenda 87, do senador Camilo Santana (PT-CE), que fixa a redução apenas para 16 anos em casos de crimes hediondos, mantendo a maioridade em 18 anos nas demais situações.

A discussão sobre a redução da idade penal divide opiniões na base governamental e entre organizações da sociedade civil. O presidente do Senado pontuou que o adiamento não atende a solicitações do governo federal, mas busca pacificar divergências em torno de dispositivos que ainda não possuem entendimento consolidado entre as bancadas.

Conteúdo e impactos da proposta

A PEC da Segurança Pública propõe mudanças profundas na arquitetura institucional de combate ao crime no país, incluindo a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) por meio da alteração do Artigo 144 da Constituição Federal. O texto define a atuação integrada e descentralizada entre União, estados, Distrito Federal e municípios.

O projeto também endurece penas e restringe regimes prisional e de progressão para chefes de facções criminosas e milícias, além de prever medidas patrimoniais contra ativos ilícitos e a criação de polícias municipais de natureza civil. No aspecto orçamentário, a proposta estabelece repasses obrigatórios de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para estados e municípios, além da destinação de 10% do superávit financeiro do Fundo Social do pré-sal para o setor.

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