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Operação da PF no Rio prende deputado eleito e ex-chefe da Polícia Civil em esquema bilionário

Operação da PF no Rio prende deputado eleito e ex-chefe da Polícia Civil em esquema bilionário

Ação mira organização criminosa acusada de movimentar R$ 7,6 bilhões por meio de rede de postos de combustíveis e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro estimado em R$ 7,6 bilhões. Entre os alvos presos por ordem do Supremo Tribunal Federal estão o deputado estadual eleito Márcio Canella e o ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim.

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro. As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro com movimentação estimada em R$ 7,6 bilhões.

Além de Canella e Amim, outros quatro policiais civis foram detidos. Ao todo, a operação cumpre seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses. A investigação aponta que uma organização criminosa teria utilizado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como estrutura para ocultar recursos de origem ilícita, contando com articulação política e participação de agentes públicos.

Sequestro de bens e suspensão de atividades econômicas

A dimensão da operação resultou em medidas de sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas vinculadas à rede investigada. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, teriam sido utilizados para dar aparência legal ao dinheiro de origem criminosa. Relatórios de inteligência financeira do Coaf apontaram as movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.

Márcio Canella foi reeleito deputado estadual em 4 de outubro com 197.178 votos. O político já havia sido alvo da Polícia Federal em julho, durante a sexta fase da mesma operação, ocasião em que foi preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil em seu veículo, cuja apreensão foi contestada pela defesa.

Histórico dos investigados e ligações apontadas pela PF

Marcus Amim, que comandou a Polícia Civil fluminense e presidiu o Detran-RJ, é apontado pelas investigações como um dos operadores institucionais do esquema, fornecendo proteção administrativa e policial ao grupo criminoso em troca de recursos por intermédio de empresas de familiares. A defesa de Amim informou que aguarda acesso aos autos para prestar os devidos esclarecimentos.

Entre os demais alvos presos estão os irmãos e inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, e Giovanni Gaspar Fernandes. Os dois já haviam sido detidos em 2011 durante a Operação Guilhotina. A defesa dos irmãos afirmou não ter tido acesso aos autos e que eles ficaram surpresos com a prisão. A Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou que apoia a operação e não compactua com desvios de conduta.

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