Home / Economia / Venda de máquinas despenca 15,5% em agosto, e Abimaq culpa juro alto por travar investimento

Venda de máquinas despenca 15,5% em agosto, e Abimaq culpa juro alto por travar investimento

Receita do setor caiu para R$ 22,9 bilhões; importações sobem 16,7%, lideradas pela China, e indústria fecha 24 mil vagas em 12 meses

A receita líquida da indústria de máquinas e equipamentos caiu 15,5% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025 e somou R$ 22,9 bilhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que divulgou os dados na quarta-feira (30). A entidade atribui a queda aos juros: “Taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, inibindo novos projetos de investimento industrial”.

No mercado interno, a receita recuou 16,4%, para R$ 16,8 bilhões. Na comparação com julho, já descontados os efeitos sazonais, a queda foi de 11,3%. De janeiro a agosto, o faturamento do setor está 13,2% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

O investimento em máquinas e equipamentos, medido pelo consumo aparente, somou R$ 33,1 bilhões, com queda de 5,2% sobre agosto de 2025.

Importados ganham espaço

As exportações caíram 6,3%, para US$ 1,18 bilhão, enquanto as importações subiram 16,7%, para US$ 2,98 bilhões. Os produtos importados já respondem por 47,6% do consumo de máquinas no país, ante 45,3% um ano antes. A China lidera, com 36% do total importado, seguida por Estados Unidos e Alemanha.

No campo

As máquinas agrícolas, que respondem por cerca de 30% da receita do setor, tiveram queda de 1,7% em relação a julho e de 22,8% sobre agosto de 2025. No acumulado do ano, o recuo é de 22,4%. Segundo a diretora da Abimaq Cristina Zanella, ouvida pelo Canal Rural, pesam o endividamento dos produtores, o custo do financiamento e a perda de renda com o câmbio: mesmo com mais volume exportado, o retorno em reais tem sido menor.

Emprego

O setor fechou cerca de 24 mil postos de trabalho em 12 meses e terminou agosto com 403.294 pessoas ocupadas. A carteira de pedidos, porém, equivale a 10,1 semanas de produção, 13,3% acima de agosto de 2025, e o uso da capacidade instalada subiu para 79,6%.

Análise

Máquina é investimento: quando a venda cai, o país está deixando de ampliar a capacidade de produzir amanhã. O diagnóstico da própria indústria é claro: juro real alto trava novos projetos. E o juro alto é, em boa medida, o preço de um governo que gasta mais do que arrecada e mantém o Banco Central na defensiva. No campo, o produtor endividado adia a compra do trator e da colheitadeira, justamente o equipamento que garante produtividade ao setor que sustenta a balança comercial. Enquanto isso, a importação cresce e a indústria nacional perde espaço e empregos.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *