Levantamento do Hora do Brasil compara as 13 últimas pesquisas do 2º turno de 2022 com o resultado do TSE: oito institutos deram a Lula mais votos do que ele teve nas urnas; CNT/MDA foi quem chegou mais perto
A quatro dias do primeiro turno de 2026, marcado para domingo (4), vale olhar para trás antes de acreditar nos números que circulam nesta reta final. O Hora do Brasil comparou as últimas pesquisas divulgadas antes do segundo turno de 2022 com o resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 30 de outubro daquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por 50,90% a 49,10% dos votos válidos, a disputa mais apertada desde a redemocratização.
A comparação usa os votos válidos de 13 pesquisas publicadas entre 20 e 29 de outubro de 2022, reunidas em levantamento compilado pelo UOL. O resultado é um retrato pouco lisonjeiro para parte dos institutos mais citados pela grande imprensa.
As pesquisas e o resultado das urnas

Das 13 pesquisas, nove apontavam vitória de Lula e quatro, de Bolsonaro. A diferença real entre os dois foi de 1,8 ponto percentual. O Ipec chegou a projetar uma vantagem de oito pontos para o petista (54% a 46%), mais de quatro vezes a margem que saiu das urnas. A AtlasIntel indicava 53,4% a 46,6%, e o Datafolha e a Genial/Quaest, 52% a 48%.
Do outro lado, Brasmarket, Gerp, Veritá e Modalmais/Futura previam vitória de Bolsonaro. A Brasmarket foi a mais longe: 53% a 47% para o então presidente.
Quem mais acertou

O critério é simples: a distância entre o percentual de Lula na pesquisa e os 50,90% que ele obteve. Como a conta é feita em votos válidos, o erro sobre Bolsonaro é exatamente o mesmo, com o sinal invertido.
A CNT/MDA foi a que mais se aproximou, com 51,1% a 48,9%, um erro de apenas 0,2 ponto. Em segundo lugar ficou a Paraná Pesquisas, com 50,4% a 49,6% (erro de 0,5 ponto), praticamente cravando o empate que se viu nas urnas. Datafolha, Genial/Quaest e Ideia dividem o terceiro lugar, com erro de 1,1 ponto.
Na outra ponta, os maiores erros foram da Brasmarket (3,9 pontos), do Ipec (3,1) e da Gerp (2,9). Na média, os 13 institutos erraram 1,8 ponto, exatamente o tamanho da diferença que decidiu a eleição.
Para quem a pesquisa pendeu

Quando se olha a direção do erro, o desenho fica claro. Oito institutos deram a Lula mais do que ele teve: Ipec (+3,1 pontos), AtlasIntel (+2,5), Ipespe/Abrapel e PoderData (+2,1 cada), Datafolha, Genial/Quaest e Ideia (+1,1 cada) e CNT/MDA (+0,2). Cinco erraram a favor de Bolsonaro: Brasmarket (−3,9), Gerp (−2,9), Veritá (−1,9), Modalmais/Futura (−1,2) e Paraná Pesquisas (−0,5).
O dado que chama atenção é que os seis institutos de maior visibilidade no noticiário (Datafolha, Ipec, Genial/Quaest, AtlasIntel, PoderData e Ipespe) superestimaram Lula, todos na mesma direção, com erro médio de 2 pontos. Entre os que erraram para o lado de Bolsonaro estão, em geral, empresas menores e com menos espaço na imprensa.
O precedente do primeiro turno
O segundo turno não foi um caso isolado. No primeiro turno de 2022, o Datafolha divulgou na véspera 50% dos votos válidos para Lula e 36% para Bolsonaro. O Ipec apontava 51% a 37%. Nas urnas, Lula teve 48,43% e Bolsonaro, 43,20%. O candidato do PL teve mais de seis pontos acima do que os dois principais institutos do país previam.
Análise
Pesquisa eleitoral não é profecia, e nenhum instituto está livre de errar. O problema é quando o erro aponta sempre para o mesmo lado. Em 2022, os institutos que pautam o noticiário, orientam o humor do mercado e influenciam a decisão do eleitor indeciso subestimaram de forma consistente o voto conservador, no primeiro e no segundo turno. Números que mostram um candidato disparado desestimulam a militância do adversário e alimentam o voto útil. Quem saiu às ruas naquele ano sabia que a disputa era muito mais apertada do que o noticiário sugeria, e as urnas confirmaram.
Às vésperas de uma nova eleição, fica o alerta ao leitor: vale acompanhar as pesquisas, mas com a memória de 2022 em mente. O histórico mostra que o voto conservador costuma aparecer mais nas urnas do que nos levantamentos.






