Últimos 2.500 soldados americanos deixaram o país; governo iraquiano celebra “soberania”, mas milícias pró-Irã resistem ao desarmamento
Os Estados Unidos concluíram a retirada de suas tropas do Iraque, encerrando uma presença militar iniciada com a invasão de 2003, que derrubou Saddam Hussein. Cerca de 2.500 soldados americanos deixaram o país, e os sistemas de defesa aérea instalados em Erbil, capital da região autônoma do Curdistão, foram removidos.
O primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, disse que o país está “livre de qualquer presença militar estrangeira” e falou em “conclusão da soberania nacional”. A Turquia, porém, ainda mantém tropas em território iraquiano.
A presença americana passou por várias fases: a invasão de 2003, a retirada de 2011 e o retorno em 2014, com a Operação Inherent Resolve, contra o Estado Islâmico. Cerca de 4,5 mil militares americanos morreram no Iraque ao longo do período.
O principal desafio agora é interno. Milícias apoiadas pelo Irã, como Kata’ib Hezbollah, Harakat al-Nujaba e Kata’ib Sayyid al-Shuhada, rejeitam entregar as armas. O prazo para o desarmamento desses grupos foi prorrogado para 30 de junho de 2027.
Análise
A saída encerra um dos capítulos mais caros da política externa americana. O risco é que o vácuo seja ocupado por milícias financiadas por Teerã, que se recusam a se desarmar. Um Iraque soberano de verdade depende de o governo de Bagdá ter o monopólio da força, e não de dividi-lo com grupos armados a serviço do regime iraniano.






