**Mensagens encontradas pela Polícia Federal revelam negociação de R$ 150 mil mensais envolvendo Felipe Nunes, fundador de um dos principais institutos de pesquisas eleitorais do Brasil. Executivo nega relação pessoal com banqueiro e afirma que trabalho foi exclusivamente técnico.**
Uma nova revelação envolvendo o Banco Master amplia os questionamentos sobre a rede de contratos milionários mantida pela instituição financeira de Daniel Vorcaro. Desta vez, o nome que aparece nas mensagens obtidas pela Polícia Federal é o do cientista político Felipe Nunes, fundador e CEO da Quaest, empresa responsável por pesquisas eleitorais de grande repercussão nacional.
De acordo com reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quarta-feira (21), conversas extraídas do celular de Vorcaro revelam negociações para a contratação de uma consultoria estratégica no valor de **R$ 150 mil mensais, durante 12 meses**, o equivalente a R$ 1,8 milhão.
O acordo teria sido discutido em setembro de 2024, envolvendo integrantes da direção do Banco Master.
## Mensagens revelam negociação milionária
Nos diálogos divulgados, Ana Matos, integrante da área de marketing do banco, consulta Daniel Vorcaro sobre a contratação de Felipe Nunes e da Quaest.
A mensagem menciona expressamente a prestação de consultoria estratégica, com remuneração mensal de R$ 150 mil e duração prevista de um ano.
Vorcaro responde que acredita que o acerto tenha sido conduzido por Augusto Lima, seu então sócio, e orienta que a questão seja alinhada diretamente com ele.
A troca de mensagens demonstra que a contratação estava sendo discutida nos níveis superiores da instituição financeira.
Entretanto, os documentos divulgados não esclarecem quantas parcelas foram efetivamente pagas nem comprovam o desembolso integral dos R$ 1,8 milhão.
## Quaest ocupa posição de destaque nas pesquisas eleitorais
Fundada em 2016, a Quaest consolidou-se como uma das empresas de pesquisa de opinião e análise política mais conhecidas do país.
Seus levantamentos eleitorais são frequentemente utilizados por veículos de comunicação, analistas políticos e agentes do mercado financeiro para avaliar cenários eleitorais, popularidade de governantes e tendências da opinião pública.
A revelação de uma negociação milionária entre seu fundador e o Banco Master desperta questionamentos sobre a natureza dos serviços contratados e a transparência das relações comerciais mantidas por empresas que também atuam no mercado de pesquisas eleitorais.
É importante destacar, contudo, que a existência de uma consultoria privada não constitui, por si só, irregularidade e não demonstra qualquer interferência nos resultados das pesquisas divulgadas pela Quaest.
## Felipe Nunes nega relação com Vorcaro
Procurado pelo Metrópoles, Felipe Nunes negou ter mantido relacionamento pessoal ou contato direto com Daniel Vorcaro.
Segundo o executivo, o serviço prestado ao Banco Master consistiu em análises de cenário político, atividade que já desenvolvia profissionalmente para diversas instituições financeiras.
Nunes afirmou que, somente em 2024, trabalhou como analista político para 53 instituições do mercado financeiro, incluindo bancos, corretoras e plataformas de investimentos.
Ele também declarou que a consultoria ao Master teve caráter exclusivamente técnico, começou antes dos questionamentos públicos sobre a instituição e não foi renovada antes da liquidação determinada pelo Banco Central.
O fundador da Quaest sustentou ainda que jamais interagiu diretamente com Vorcaro.
## Caso Master amplia debate sobre dinheiro e influência
As revelações surgem em meio à divulgação de contratos e negociações mantidos pelo grupo de Daniel Vorcaro com diferentes empresas, veículos de comunicação e personalidades públicas.
A dimensão financeira dessas relações tem provocado discussões sobre transparência, influência econômica e possíveis conflitos de interesses.
No caso da Quaest, permanecem questões relevantes: quais serviços foram efetivamente entregues ao Banco Master? Qual foi o montante total pago? E quais mecanismos de transparência e independência foram adotados para separar as atividades de consultoria privada das pesquisas eleitorais divulgadas publicamente?
Até o momento, não foram apresentados elementos que demonstrem manipulação de levantamentos eleitorais ou qualquer atuação irregular de Felipe Nunes em decorrência da contratação.
**A revelação, entretanto, reforça a necessidade de transparência nas relações financeiras entre grandes grupos econômicos e empresas com influência na interpretação do cenário político brasileiro.**






