Acordo saiu de reunião de 40 minutos entre os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano, Jamieson Greer; Washington vai enviar proposta nas próximas semanas
Brasil e Estados Unidos decidiram na quarta-feira (30) criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas americanas sobre produtos brasileiros e outros temas do comércio bilateral. O anúncio foi feito depois de uma reunião em Milwaukee, no estado de Wisconsin, entre os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, à margem do encontro de ministros de Comércio do G20.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a reunião, de cerca de 40 minutos, “transcorreu de forma construtiva”. O objetivo do grupo inclui a “avaliação de possíveis soluções e o avanço nas negociações sobre um potencial acordo”. Os Estados Unidos devem enviar, nas próximas semanas, um documento com a proposta de escopo da negociação, que deve tratar de temas tarifários e não tarifários.
“O governo brasileiro reafirmou a disposição de buscar soluções por meio do diálogo e da negociação, com foco na defesa dos interesses brasileiros”, informou o governo, segundo a Agência Brasil.

As tarifas em vigor
Desde julho, os Estados Unidos cobram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, com base em investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio americana, que mira temas como o Pix e o desmatamento. Há ainda uma sobretaxa de 10% a 12,5% aplicada a países apontados por problemas de trabalho forçado. Segundo a Agência Estado, as duas cobranças somadas chegam a 37,5% e atingem 3.958 produtos brasileiros, que somam cerca de US$ 10,8 bilhões em exportações.
A reportagem não localizou manifestação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre a reunião.
Análise
Negociar é o caminho certo, e o setor produtivo agradece qualquer avanço. Mas convém lembrar como se chegou até aqui: o governo Lula passou meses apostando no confronto retórico com Washington, alinhado a regimes hostis aos EUA, enquanto exportadores pagavam a conta das tarifas. O grupo de trabalho é só um começo. O que interessa a quem produz e exporta é redução efetiva das sobretaxas, com prazo, e não mais uma foto de reunião às vésperas da eleição.






