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Banqueiro afirma ter pago R$ 30 milhões em dinheiro vivo para filme sobre Lula em troca de acesso a fundos

Banqueiro afirma ter pago R$ 30 milhões em dinheiro vivo para filme sobre Lula em troca de acesso a fundos

Relatos de Daniel Vorcaro obtidos pela revista Veja apontam negociações com o PT, mas PGR e Polícia Federal rejeitaram delação por falta de provas.

Declarações atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicam o suposto repasse de R$ 30 milhões em espécie para o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo documentos e áudios revelados pela imprensa, o montante faria parte de uma tratativa para viabilizar operações junto a fundos de pensão federais. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal rejeitaram o acordo de colaboração por falta de comprovação material, enquanto a campanha do atual mandatário classificou as acusações como uma farsa de cunho eleitoral.

A revelação de áudios e documentos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe ao centro do debate político acusações de supostas negociações irregulares voltadas para a obtenção de acesso a recursos de fundos de pensão federais. De acordo com informações publicadas pela revista Veja, o empresário teria afirmado ter destinado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para o financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigido pelo cineasta Oliver Stone. As tratativas envolveriam interlocutores ligados ao Partido dos Trabalhadores, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto.

Negociações e Fundos de Pensão

Conforme o material divulgado, o esquema visava viabilizar a entrada do Banco Master no rol de instituições autorizadas a receber investimentos de grandes fundos de previdência de estatais, a exemplo de Previ, Petros e Postalis. O banqueiro sustentava que os pagamentos funcionariam como contrapartida para facilitar a captação de recursos públicos. Em abril de 2024, a instituição financeira obteve autorização formal para operar com determinados fundos de previdência, embora investigações preliminares apontem que as operações pretendidas em larga escala não foram concretizadas.

Apesar da gravidade das menções a autoridades e auxiliares do Palácio do Planalto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal recusaram a proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Em nota oficial divulgada pela PGR, a instituição esclareceu que não houve depoimento oral do investigado no âmbito das negociações, cujas tratativas foram conduzidas estritamente por meio de advogados e rejeitadas pela ausência de elementos mínimos de credibilidade e provas materiais que respaldassem as declarações.

Repercussão e Medidas Judiciais

A campanha do presidente Lula classificou as acusações como uma farsa com objetivos eleitorais. Em comunicado oficial, a coligação governista apontou que o suposto depoimento citado pela imprensa não possui registro formal nos órgãos competentes e anunciou que adotará medidas judiciais cabíveis contra os responsáveis pela divulgação. A nota também destacou que a publicação de informações sem comprovação material busca influenciar o cenário político atual.

Por sua vez, os citados nas apurações negaram veementemente qualquer irregularidade ou envolvimento com o banqueiro. Representantes do governo rechaçaram vínculos com Vorcaro e apontaram tentativas de manipulação política no contexto das investigações. Até o momento, não há comprovação independente de que os valores em dinheiro vivo tenham sido efetivamente entregues, nem de que o chefe do Executivo tenha tido conhecimento ou participado de tratativas ilícitas com o ex-controlador do Banco Master.

O desdobramento do caso segue sob análise dos órgãos de controle e da Justiça, enquanto os elementos apresentados pela defesa do empresário continuam sem validação oficial por parte do Ministério Público Federal. A ausência de provas materiais determinantes impediu o avanço das tratativas de colaboração premiada, mantendo o impasse jurídico em torno das acusações recém-divulgadas.

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