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Aprovação do fim da escala 6×1 no Senado gera alerta no setor produtivo

Aprovação do fim da escala 6x1 no Senado gera alerta no setor produtivo

Entidades empresariais criticam impacto nos custos, enquanto centrais sindicais celebram mudança aprovada em dois turnos.

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala 6×1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), repercutiu intensamente entre representantes do setor produtivo e centrais sindicais. Enquanto o texto é visto por aliados do governo como um impulso eleitoral na reta final da disputa presidencial, entidades patronais apontam riscos severos de aumento de custos, inflação e perda de competitividade.

A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 foi aprovada pelo plenário do Senado Federal na noite de quarta-feira (14), em dois turnos, obtendo 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O texto altera a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, impondo um descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana sem redução salarial. A votação ocorreu em meio a um cenário de intensa polarização política, com repercussão na imprensa internacional que avaliou o andamento da pauta como um movimento de forte apelo eleitoral às vésperas do segundo turno.

O texto aprovado estabelece um período de transição de 14 meses para a adaptação integral das empresas. Sessenta dias após a promulgação da emenda, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais e os estabelecimentos deverão adotar a escala 5×2. Após o período de um ano, a carga horária máxima chegará a 40 horas. Apesar da flexibilização temporal, entidades patronais manifestaram forte oposição e exigem que o Congresso Nacional reavalie os impactos estruturais da medida sobre o mercado interno.

Setor produtivo alerta para inflação e custos bilionários

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a emenda como um retrocesso e estimou que a redução da jornada poderá elevar os custos de produção em até R$ 267 bilhões, além de pressionar a inflação média em 6,2% e provocar queda estimada de 0,7% no Produto Interno Bruto. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o tema precisa ser revisado pelo Parlamento para mitigar a perda de competitividade da economia brasileira.

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) calculou que o setor precisaria contratar aproximadamente 288 mil trabalhadores para compensar as horas reduzidas e manter o ritmo produtivo atual. O impacto financeiro apenas com novas contratações e encargos básicos atingiria R$ 13,5 bilhões anuais, elevando o custo direto da mão de obra em até 15%. A entidade adverte que o encarecimento poderá inviabilizar a construção de dezenas de milhares de moradias populares e atrasar projetos de infraestrutura.

Desafios para o comércio e supermercados

O setor de comércio e serviços, representado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), criticou a tramitação acelerada da pauta em período eleitoral, argumentando que mudanças dessa magnitude exigem profundo embasamento técnico. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) também manifestou preocupação com a gestão de escalas em estabelecimentos que funcionam diariamente, apontando dificuldades severas para preencher vagas em um mercado que já sofre com escassez de profissionais qualificados.

Por outro lado, centrais sindicais comemoraram a aprovação da medida. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) definiu o fim da escala 6×1 como uma vitória histórica contra um modelo desgastante para a classe trabalhadora. A Força Sindical pontuou que a convivência familiar, o lazer e a preservação da saúde física dos empregados serão beneficiados, destacando que o diálogo democrático viabilizou o avanço da pauta no Legislativo.

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